quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Pares

Leopoldina Corrêa

Gosto de ver os pares
Que a todos os dias
Se formam aos milhares

Com graça e poesia

Gosto dos opostos
Como o dia e a noite
Com segredos expostos

A estalar de açoite

Como a mão e a luva
Que se protegem
Para enfrentar a chuva

Gosto do verso e do anverso
Do sonho e da miragem
Que há no subúrbio universo.
 

domingo, 23 de agosto de 2015

Loucura

















O amor é mesmo assim, um tanto louco.
Assim do nada aparece ou desaparece.
Quando nasce é sensual e rouco
Ao morrer, um ou outro logo esquece
Quem fica sempre sofre mais um pouco. 


Um vai carregando a dor da despedida,
Tentado desmanchar os nós
Buscando viver sua vida entorpecida,
O outro logo quer ficar a sós,
Esgueirando-se pelo o lado oposto da avenida.




terça-feira, 4 de agosto de 2015

História Antiga

Leopoldina Corrêa

Quase dois anos se foram passaram
Daquele abraço que ficou pra trás,
Nossos caminhos se descruzaram 
E teu abraço já não me abraça mais,

Aprendi disfarçar meu instinto

E, diante da tua presença marcante,
Aprendi a disfarçar o que sinto

Fingindo que nunca fomos amantes

Basta-me ficar por perto
Aprendendo a ser amiga
De coração sempre aberto
Nessa nossa história antiga.


domingo, 2 de agosto de 2015

Teu retrato

Leopoldina Corrêa

Teu retrato que mantenho arquivado,
Isento das marcas do passado,
Na pasta de documentos pessoais,
Ficará, assim, bem preservado,
Teu sorriso sempre iluminado
A respirar nas minhas redes sociais.

Guardo fotos de nossos personagens,

Abraçando antigas paisagens
Decorando os meus álbuns digitais.
Para muitos, há de ser bobagens
Mas, para mim são mensagens

Lembrando que já não somos mais. 

 

sábado, 1 de agosto de 2015

Promessa

Contigo não fiz nenhum pacto,
Mas, impus-me um compromisso,
Dedicar-te o meu amor intacto
Como rendição por teu feitiço.

Rendo-me de maneira lícita
Sem cobrar-te nada por isso
Carregarei minha dor explícita

Junto ao desejo submisso.

Com a delicadeza de um cacto
Por sobre a aspereza dos espinhos,
Levarei meus flagrantes de saudade.


Sem protesto pelo flagelo tácito

Pela reversão dos nossos caminhos,
A minha promessa é a cumplicidade.



 



segunda-feira, 27 de julho de 2015

Ouça este coração


Leopoldina Corrêa

Ouça o pulsar latente deste coração
Tão inaudível aos teus ouvidos…
Eu o ouço batendo firme na solidão,
Tentando abafar os seus gemidos.

Coração quase desiludido

Quase presente, 
Quase ausente,
Mas nunca arrependido.

Ouça meu coração absorvido
Pelo descompasso da espera,
Dentro do meu peito abstraído.

Ouça esse coração não absolvido
Do pecado que não cometera
E que o tornara tão desprotegido.