Leopoldina Corrêa
Gosto de ver os pares
Que a todos os dias
Se formam aos milhares
Com graça e poesia
Gosto dos opostos
Como o dia e a noite
Com segredos expostos
A estalar de açoite
Como a mão e a luva
Que se protegem
Para enfrentar a chuva
Gosto do verso e do anverso
Do sonho e da miragem
Que há no subúrbio universo.
O amor é mesmo assim, um tanto louco.
Assim do nada aparece ou desaparece.
Quando nasce é sensual e rouco
Ao morrer, um ou outro logo esquece
Quem fica sempre sofre mais um pouco.
Um vai carregando a dor da despedida,
Tentado desmanchar os nós
Buscando viver sua vida entorpecida,
O outro logo quer ficar a sós,
Esgueirando-se pelo o lado oposto da avenida.
Leopoldina Corrêa
Quase dois anos se foram passaram
Daquele abraço que ficou pra trás,
Nossos caminhos se descruzaram
E teu abraço já não me abraça mais,
Aprendi disfarçar meu instinto
E, diante da tua presença marcante,
Aprendi a disfarçar o que sinto
Fingindo que nunca fomos amantes
Basta-me ficar por perto
Aprendendo a ser amiga
De coração sempre aberto
Nessa nossa história antiga.

Leopoldina Corrêa
Teu retrato que mantenho arquivado,
Isento das marcas do passado,
Na pasta de documentos pessoais,
Ficará, assim, bem preservado,
Teu sorriso sempre iluminado
A respirar nas minhas redes sociais.
Guardo fotos de nossos personagens,
Abraçando antigas paisagens
Decorando os meus álbuns digitais.
Para muitos, há de ser bobagens
Mas, para mim são mensagens
Lembrando que já não somos mais.
Contigo não fiz nenhum pacto,
Mas, impus-me um compromisso,
Dedicar-te o meu amor intacto
Como rendição por teu feitiço.
Rendo-me de maneira lícita
Sem cobrar-te nada por isso
Carregarei minha dor explícita
Junto ao desejo submisso.
Com a delicadeza de um cacto
Por sobre a aspereza dos espinhos,
Levarei meus flagrantes de saudade.
Sem protesto pelo flagelo tácito
Pela reversão dos nossos caminhos,
A minha promessa é a cumplicidade.
Leopoldina Corrêa
Ouça o pulsar latente deste coração
Tão inaudível aos teus ouvidos…
Eu o ouço batendo firme na solidão,
Tentando abafar os seus gemidos.
Coração quase desiludido
Quase presente,
Quase ausente,
Mas nunca arrependido.
Ouça meu coração absorvido
Pelo descompasso da espera,
Dentro do meu peito abstraído.
Ouça esse coração não absolvido
Do pecado que não cometera
E que o tornara tão desprotegido.